Entrei num turbilhão que durou quatro meses . Começou devagar, com decisões estranhas que ora me pareciam as mais corretas do mundo, e ora me pareciam um grande erro. A todo momento a velocidade ia aumentando e me deixei levar, ficar tonta, permitir viver tudo. De repente achei que tinha acabado. Poderia sair de dentro da máquina. Já havia sido vingada, limpa, lavada, e então tudo me parecia perfeita no seu lugar, pronto para ser estendido.
Um engano. Era só o início três péssimos meses me esperariam. Alguém havia pedido a opção lavagem-molho-longa. Malditos sejam! Foi então que algo começou a acontecer e comecei a encolher. Não estava preparada para passar por tudo, mas ninguém leu minhas orientações e ali continuei. De repente tinha 17 anos de novo. Menina, pequena…
Tive medo, frio, e não havia onde me agarrar. Percebi que à medida que tudo começava a rodar novamente, o nível de água aumentava: eram lágrimas. Talvez tenha desmaiado, entrado em estado de torpor, não sei. Muito tempo se passou e foi tudo tão rápido… De repente eu estava lá, e no outro segundo tinha que ir embora. As coisas se tornaram confusas, talvez oníricas. Uma semana parecia um ano, um ‘sim’, soava como ‘não’, quem não se falava de repente se conhecia há muito tempo, e, aqueles que um dia se conheceram, se estranharam. Escrevia com uma caneta de uma cor e, de repente, já tinha quatros cores à minha disposição.
Sinto a velocidade decair. Acho que vão abrir a porta e ficarei livre. Tenho medo do sol.