Archive for the ‘epígrafes’ Category

Me gusta cuando callas

Wednesday, October 15th, 2008

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

(NERUDA, Pablo)

Nada poderia se encaixar melhor agora.

Monday, October 13th, 2008

“Pronto! Aconteceu – o momento – o geste! – E embora eu estivesse preparado, aquilo me pegou, perdi meu eixo, fiquei simplesmente pasmo. E a sensação física era tão curiosa, tão particular. Era como se tudo aquilo que me constituía, com exceção de minha cabeça e de meus braços, tudo de mim que estava sob a mesa, tivesse simplesmente se dissolvido, derretido, virado água. Sobrou apenas minha cabeça, e dois braços, que pressionavam a mesa. Ah, a agonia desse momento! como posso descrevê-la? Não pensei em nada. Não consegui emitir um som sequer. Por um brrve momento deixei de existir. Eu era Agonia. Agonia. Agonia.”
(MANSFIELD, Katherine. Contos. São Paulo: Cosac & Naif, 2005)

Patty Diphusa e os tempos modernos

Sunday, September 7th, 2008

“Tudo é festa, sexo, alegria e inconsciência. Nada disso. Os jogos deixam de ser jogos quando se tornam manifestações culturais. Antes, uma festa era um lugar onde se roubavam as jóias ou o namorado dos outros, e isso criava uma tensão, uma história digna de ser vivida. Agora, uma festa é um mero platô onde suas antigas amigas convertidas em múmias passam a noite posando para fotógrafos amadores, que depois escolhem as piores fotos e publicam. A quem querem enganar? Nas festas ultimamente a única coisa que acontece são as fotos e para mim isso não basta, sinto muito. OU seja, fujo de festas. E dujo das pessoas que falam de festas, que desenham festas em suas história em quadrinhos ou que tiram fotos nas festas e as publicam como se isso importasse a alguém.
Prefiro a mesmice, a depressão, as reflexão, a abstinência, o tédio, o niilismo, a discrição, o não ter nada para dizer, a inatividade, os bons modos, a antipatia, o country, o horário fixo, a precaução, a melancolia, as visitas familiares, o comunismo soviético, a sensatez, a inibição, as raízes, a tradição, os cantores-compositores, etc.
É insuportável essa necessidade que todo mundo tem de mostrar que é o máximo.
A fama me converteu em uma pessoa triste e melancólica e não estou disposta a tomar drogas para superar este estado.
Não tenho nada a dizer, e não quero dizer nada. Não tem sentido continuar escrevendo. Esta página, a partir desse momento, estará vazia. Que outros a preencham.”

(ALMODÓVAR, Pedro. Patty Diphusa)

Tuesday, June 17th, 2008

“- Mas as manhãs são péssimas. Eu nunca vejo as manhãs. Eu sinto um humor nazista de manhã. – Pérsio fez um risco no vidro. Depois outro, cortando o primeiro, como um grande X. – Talvez seja esse o problema. Uma vida sem manhãs. Estranho é que não escolhi. Não consigo precisar o momento em que escolhi. Nem isso, nem qualquer outra coisa, nem nada. Foram me arrastando. Não houve aquele momento em que você pode decidir se vai em frente, se volta atrás, se vira à esquerda ou à direita. Se houve, eu não lembro. Tenho a impressão de que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui. Só sei que dentro de mim tem uma coisa pronta, esperando acontecer. O problema é que essa coisa talvez dependa de uma outra pessoa para começar a acontecer

- Toque com cuidado – disse Santiago. – Senão ela foge

- A coisa ou a pessoa

- As duas.”

(ABREU, Caio Fernando. Pela Noite. In: Caio 3D – O essencial da década de 90)

Ah, meu Caio…

Thursday, June 12th, 2008

“Aqui no meu quarto também existem coisas que podem matar – a lâmina no aparelho de barbear, a própria janela de que gosto tanto. No quarto de meus pais há o revólver na gaveta, o vidro de comprimidos para dormir. Na cozinha, gás. No banheiro, aqueles vidros escuros de veneno. É fácil morrer. A toda hora, em todos os lugares, a morte está se oferecendo. Mais difícil é continuar vivendo. Eu continuo. Nao sei se gosto, mas tenho uma curiosidade imensa pelo que vai me acontecer, pelas pessoas que vou conhecer, por tudo que vou dizer e fazer e ainda não sei o que será. Ontem, foi com dificuldade que consegui sair de perto do rio. Hoje parece impossível que eu tenha pensado naquilo.”

ABREU, Caio Fernando. Limite Branco. Rio de Janeiro: Agir, 2007

Sim, a gente sofre

Monday, December 24th, 2007

which of your projects has given you the most satisfaction?
I suffer a lot developing projects, I cannot say that there is a satisfaction – it’s my life. Every-time I work on a project its a huge affliction, a great anguish and a lot of anxiety. So, I would not speak of ’satisfaction’.

Paulo Mendes da Rocha entrevista pro DesignBoom. Em http://www.designboom.com/eng/interview/rocha.html

azedinho doce

Thursday, December 20th, 2007

You said I must eat so many lemons’cause I am so bitter.
I said “i’d rather be with your friends mate ’cause they are much fitter.”

:: Foundations (Kate Nash)

Tuesday, October 16th, 2007

“De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade 2: O uso dos Prazeres. 12ª ed. São Paulo: Graal. 2007.

Monday, August 20th, 2007

Anna diz: Tô procurando onde larguei a minha vida.

Ele diz:vou procurar no meu coração pra ver se tua vida ficou por aqui.

Definitivamente, a coisa mais bonita que li hoje. Talvez eu até tenha lagrimado um pouco com esse carinho inesperado

Sunday, August 19th, 2007

“Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque tenho medo e estou sozinho, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta par ao lado de lá do oceano de onde viemos os dois”.

(ABREU, Caio Fernando. Lixo e Purpurina. In: Ovelhas Negras. Rio grande do Sul: L&PM Editores, 2002)