Archive for the ‘Abstrações’ Category

Tive uma idéia

Tuesday, September 16th, 2008

Não uma idéia qualquer, mas a idéia de um projeto, dessas com início, meioe fim, que vão ganhando uma forma mais clara a cada segundo.

E como dói. Ninguém sabe como é, mas é como ter um filho. Nesse exato momento, acabei de descobrir que estou grávida. Entrei em desespero, preciso contar para alguém, preciso pensar se é possível deixar crescer, criar asas, ganhar o mundo, sair de mim e ter suas próprias pernas.

Estou agoniada e ando de um lado a outro da casa. Ainda não é hora de contar a ninguém. É preciso ter certeza. Dentro de mim, sei que vou levar isso adiante, ficar orgulhosa, mostrar pra todo mundo, mas também sei que vai ser difícil, talvez chore, me arrependa e mande tudo à merda e me ache uma idiota no meio do caminho.

Mas agora não importa. Apenas decidi que vou levar essa gestação adiante, a minha idéia, tão pequenina, tão bonita, com um conceito tão lindo, enquanto imagino uma vida longa, em blogs, portifólios, papéis especiais… E, ao mesmo tempo, tão minha.

Sei que não é fácil criar uma criança assim, ora. Por isso já liguei para algumas pessoas. Se eu sou a mãe, preciso de avôs, avós, tios, tias, amigos, e mais todo mundo que já tenha experiência com crianças e/ou que estejam dispostas a me ajudar. Só decidi que babá ele não vai ter. Se a idéia é minha, vou criar, verificar o CMYK, a porcentagem de preto, a resolução, o melhor corte de imagem, vetorizar, curvar, verificar a fonte mais adequada… Ainda não pensei nisso alias, será que vai nascer com serifa ou sem serifa? Vou esperar começar a se formar pra decidir depois, quando olhar pra carinha dele, quer dizer, dela.

E o caminho é longo, viu? Já começo a sentir as mudanças no corpo. Não tenho mais fome. Estou obcecada. Só penso na minha pequenina criação. Já nem tenho sono. Desde que ela apareceu em mim, é como se tivesse tomado uma dose abusiva de cafeína. Procuro chás e outras drogas pra me deixar menos ansiosa mas não funcionam. Sinto vontade de sair correndo, rindo, gritar pra todo mundo que sou a mão de mais uma idéia muito bem resolvida.

E que raro é isso! Tantas vezes temos projetinhos que nem gostaríamos de ter feito, umas coisinhas que às vezes nem deixamos viver muito tempo, seja pela falta de dinheiro pra mantê-las, seja pela forma tão sem amor como foram geradas. E isso sem contar as doações! Já doei muitas idéias pro meu estagiário e, outras vezes, mesmo morrendo de ciúme, deixei ele cuidando  quando o que mais queria era ficar com elas.

E se for uma idéia mal resolvida? Dessas que demoram muito tempo para serem paridas? Dá pra assistir todas as novelas da Globo e a idéia não sai. A gente sofre, grita, chora, faz mil apresentações e parece que a bichinha nunca ganha a forma que tem que ter. Esse é o medo de qualquer dono de idéias. E tem aquelas que, se não são mal resolvidas, quando começam a ganhar a forma final sofrem mutação. Que triste! Mexe daqui, mexe daqui, e não dá pra entender como na imaginação o formatinho dela é tão perfeito mas “no papel” é tão diferente. E haja operação plástica de correção!

Como se sofre! Falta dinheiro, falta sono, falta tempo, falta tanta coisa, mas depois que nascem, do jeitinho que se planejou, que lindas que são. O problema é que nem se pode admirá-las por muito tempo pois logo ganham o mundo e deixam de dar notícias. Depois só vamos reencontrar as idéias dentro de pastas de backups, de portifolios ou de conversas saudosas. Diante disso, só podemos fazer algum comentário educado dizendo que foi um projeto que nos marcou e parir uma nova idéia melhor que a anterior.

Um momento de calma

Tuesday, September 9th, 2008

Organizando os pensamentos, respirando fundo e indo embora.

Buscando o fundo do mar em busca dos tesouros. E pode ser que um dia não haja mais nada a ser encontrado, mas então procurarei outro mar de águas mais profundas. Olho o horizonte e peço forças. Estou nova, reenergizada, plácida e com uma calma que nunca tive antes.

Não me reconheço por cinco minutos e então sinto o cheiro de jasmim e tenho certeza de que as coisas somente estão bem. Fecho as portas atrás de mim. Estou descalça. É madrugada e todos dormem. Meus passos não fazem barulho no corredor e saio no frio da madrugada em busca do meu caminho. Estou sozinha e é assim que quero ficar.

Sinto enjôo, cansaço, vomito minha alma em qualquer canto, e quando tentam tocar minha mão saio correndo. Durmo por dois dias e quando acordo procuro meus óculos. Faz sol e me sinto feliz. Voltei às origens.

Estou sozinha.

É assim que quero ficar.

Tarja preta

Thursday, September 4th, 2008

Nâo sou padrão, não sou default. Um dia falei isso e ele negou, disse que eu deveria me calar, que não era isso. Eu insistia: querido, sou estranha. Infelizmente, nem ele e nem a sua memória sobreviveram tempo suficiente para presenciar qualquer crise de misantropia.

Então, Inés é morta. Pude comprovar. Visitei sua casa depois de morta, vi seu túmulo, chorei aos seus pés e depositei flores. 

E assim, agora quero ficar só. Fecho a porta, fecho a mente, tranco os cadeados do meu mundo e ninguém em hipótese alguma deve me interromper. Batem na porta, gritam e pedem pra entrar, mas eu sei o que se passa. Há um aviso escrito sobre uma tarja preta na porta do meu mundo: impróprio para consumo humano. Estou intragável. Venenosa. Ácida.

Não abro a porta. Insistem. Deixo passar uma nesga de luz e solto minhas nuvens negras e meus lagartos. Eles fogem.

Eu avisei.

O futuro a Deus pertence?

Saturday, January 5th, 2008

Às vezes, depois de algumas experiências, sejam elas boas ou ruins, a gente e pergunta: como faz pra vida voltar ao normal?

Tenho me perguntado muito isso ultimamente. Vivi as duas coisas, seguidas vezes. Primeiro uma ruim, depois uma boa, depois uma ruim, depois uma boa. E até aí tava tudo bem. Até que veio o ápice com uma muito boa (vê? Depois de uma boa, uma muito boa), e aí uma muito ruim.

E cadê a vida de voltar ao que era?

De repente o mundo te força a lembrar que não és único, que há pessoas e pessoas e que, apesar de a contragosto, sim, você deve satisfação a elas. E então você joga dados para saber quantas casas deverá avançar ou voltar e dessa rodada vai depender o futuro do seu jogo, a linha final, o caminho a seguir na bifurcação.

E então talvez algumas lágrimas caiam e sejam substituídas minutos depois por sorrisos de felicidade e compaixão. Por um momento tudo se torna confuso e é como se andasse com um pé em cada terreno, cada qual com a sua vantagem. E isto é um problema, pois cansa.

Tenho feito algumas perguntas existencialistas nos últimos dias e olha que nunca fui muito disso. De fato, a grande maioria recai em: o que quero para o futuro?

Para R.

Monday, November 5th, 2007

R., vim pensando em algo legal pra te falar. Mas, olha, eu sou a pessoa mais cagona do mundo. Se tudo tivesse ‘ok’, tirando umas poucas chateações, ficaria onde estava. Mas dependendo da situação, sairia de lá, mesmo que fosse pra ganhar menos.

Já sou ansiosa e estressada demais pra ainda passar 8h (nos dias calmos) num lugar que não curto. Antigamente tava de banda com o trampo. Discussões demais, aquela coisa: conflitos de idéias. Mas desencanei aos poucos. Faço o que tenho que fazer e pronto. Lá tem um troço bacana, muito bacana, que é me deixarem estudar. Assim, ganho menos, trabalho quase o mesmo tanto porque tento compensar as horas que não estou por lá (é… acontece), mas é uma situação ímpar que nem todo chefe ia topar.

Saí de um escritório que me agoniava. Era economia na ponta do lápis. Nem celular podia carregar na parede por causa dos custos no final do mês. Ligação de casa pro telefone da empresa? Jamé. Tirava a atenção e ocupava a linha mesmo que só durasse 15 segundos.

Uma coisa que ninguém nos fala na época do colégio e que a profissão que vc escolher não vai ficar restrita de 8 às 18. É preciso fazer hora extra, ficar sem comer, se sacrificar pra estudar mais um pouquinho, deixar de namorar, de ver os pais, de falar com os amigos, e mais um monte de coisa. Além, é claro, de ser consultor dos conhecidos, de preferência em horas pouco ortodoxas. Assim, é preciso amar muito o que se faz e estar com o coração tranquilo, sem dúvidas, ou pelo menos com novos planos já trilhados.

Enfim, há situações e situações. E eu me conheço tão bem a ponto de saber que naquele escritório em algum momento ia entrar em curto-circuito e estourar ali dentro, como acontecia quando estudava música no conservatório. Mas você não sei…

Eu tenho uma pulseirinha no braço. Sabe o N. Sr. do Bonfin? Pois é. Aqui em Belém tem o Círio. Então é a pulseirinha de N. Sra de Nazaré. Mesmo esquema: três pedidos, três nós, supostamente, quando a pulseira cair os pedidos se realizam. Coloquei uma recentemente. Sabe o que pedi? Sabedoria. Desejo o mesmo pra vc. :*

Monday, August 20th, 2007

Às vezes me pego tentando achar em mim essa bruxa que ele diz que aparece de vez em quando. E que coloca uma lente negra nos olhos e começa a ver monstros imaginários e reclamar de coisas inexistentes. Eu juro que tento, mas nunca achei. Continuo procurando a maldade cega.

Anna Leal por Anna Leal, pt 2

Sunday, August 19th, 2007

Não sou uma pessoa que se chateia, que fica com raiva, nem nada disso. Eu me emputeço. E ponto. Faz parte do meu treinamento ninja para meninas-que-não-são-delicadas.

Ahm, e, sim, todas as vezes que o no-break não suporta os piques de energia la na agência, grito “caralho” bem alto e emendo num “agora fudeu tudo nessa merda”. Mas tudo isso depende da importância do trabalho e do tempo investido até tal acontecimento.

Ao contrário do que possa parecer, não me envergonho dessa atitude sem charme, nem classe, ultrajante e chula ao extremo.

Sunday, August 5th, 2007

Tava lembrando de um comentário de um amigo sobre o Paul pós ultimo disco et divórcio: “é impressionante como mesmo aos 60 anos ele não perde a capacidade de amar e quebrar a cara”

Sunday, August 5th, 2007

Por influência da Srta M. comprei um super bra, aquele sutiã que possui um adesivo para grudar na pele e dispensa alças. Mesmo sem ter muita certeza se era realmente necessário, acaei adquirindo-o.

É ”como visto na TV”, porém diria que em matéria de sensualidade está no mesmo nível das meias Kendall e das calcinhas modeladoras cor-da-pele, o que exige bastante astúcia de minha pessoa.

Se um super bra me permite deixar mais partes do corpo à motra, agradando o senhorio, o problema começa quando preciso tirar o superbra discretamente e escondê-lo antes de ouvir algo como “credo, que e isso que você tirou?”.

Post-it mental

Sunday, March 11th, 2007

Me dei conta que nunca escrevi nada fofinho por aqui.

Fofinho.

Done.