Archive for ‘Pseudoresenhismo’ category

Lucas Santtana @ Auditório Ibirapuera

12 April, 2010 | Karla | No Comment

Fiquei com um sério problema para começar o lide desse post. Mas daí lembrei que é ‘só um blog’ e que o ato de escrever por aqui não deve obedecer necessariamente o “preciosismo” da escrita formal do jornalismo. Por isso, deixo que meu coração fale sobre o show de Lucas Santtana, que assisti na última sexta-feira (9), no Auditório Ibirapuera.

Após o fracasso da ida ao show da Céu, me programei para não procrastinar de forma alguma na chegada ao Ibira. Chovia demais em São Paulo. Trânsito ruim na Brasil, ônibus lotado e a smartona aqui ainda acha de descer num ponto muito longe do auditório. Anda, anda, anda. Na chuva. Pessoalmente, depois da semana péssima que tive, pegar chuva não era nada demais. Cheguei faltando 20 minutos para o show. Ufa. Ainda deu tempo de tomar uma ceva.

O show começou e muitos filminhos começaram a passar pela cabeça. Sem Nostalgia foi um dos três discos que mais escutei em 2009. E ainda o escuto demais. Mas a forma como todas as canções desse disco foram executadas na sexta-feira me fizeram ter ainda mais carinho por ele. Fiquei extremamente impressionada com as nuances que o som adquiriu naquele espaço. Não é à toa classificarem o Auditório Ibirapuera como a melhor acústica do país. Ali cada nota ganha um significado ímpar, envolve o ouvido, a mente e, principalmente, a alma.

O repertório foi de acabar com o coração. Tem um tempinho que acompanho o trabalho de Lucas e foi legal assistir a uma apresentação que passeou muito pelo disco atual e também pelos anteriores. Acompanhado de Régis Damasceno e Bruno Buarque, ele também cantou Tanto Faz Para o Amor (música lindíssima integrante do disco Só Deixo Meu Coração na Mão de Quem Pode da cantora Katia B) e Abololô (parceria com Marisa Monte, jamais tocada ao vivo por ele).

Dois momentos foram especialíssimos: a execução de Into Shade, uma das músicas da minha vida (<3) e o finalzinho do show, já no bis, quando Lucas tocou sozinho Ripple Of The Water. Nesse momento, a parede do fundo do palco foi suspensa (explicação tosca, não sei o nome do troço), surgiram as árvores do parque, a chuva, a moldura perfeita para aquele aquela cena. Chorei, confesso, mas sou manteiga derretida, portanto, zero parâmetro.

Uma palavra? Emocionante. Se toda semana tivesse um show desse na minha vida, eu seria muito mais feliz. Sério, que lindo. :~

(Não tirei fotos e nem fiz vídeos dessa vez. Achei a imagem linda do momento mencionado acima no Flickr do fotógrafo Ariel Martini.)

Otto @ Auditório Ibirapuera (13.03.2010)

14 March, 2010 | Karla | 3 Comments

Sempre que passamos por uma situação adversa – amorosa ou profissional – há um ditado popular que nos empurra para frente: há males que vem para bem. Após passar por uma turbulenta fase pessoal, o cantor pernambucano Otto parece ter colocado tal resolução em prática. Aqui o bem seria o renascimento pessoal e artístico com a produção do disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranqüilos.

Neste final de semana, Otto fez dois shows para apresentar ao público paulistano o repertório de sua nova criação. O lugar não poderia ser melhor: o sensacional Auditório Ibirapuera, cuja acústica e estrutura são consideradas exemplares.

Assisti ao show deste sábado (13) e voltei para a casa com a nítida impressão de que Certa Manhã é uma espécie de tapa na cara em forma de música dado por Otto em muitas faces. Talvez tenha sido um tapa na cara da ex-gravadora, Trama, que teve a pachorra de oferecer míseros R$ 10 mil para que o cantor produzisse um trabalho que conta com a colaboração de músicos experientes como Fernando Catatau e Pupilo. Talvez um tapa na cara da ex-mulher, a atriz Alessandra Negrini. Talvez um tapa na cara da vida. Tantas possibilidades.

Com o auditório lotado, banda competentíssima à postos, Otto subiu ao palco esbanjando simpatia e – como se custasse a acreditar em toda aquela gente ali de pé para vê-lo – agradeceu a presença do público muitas vezes. O repertório do show foi baseado no disco novo, mas houve espaço também para canções mais antigas como Lavanda, Renault Peugeot, Tento Entender e Low.

Um aspecto sempre me chamou a atenção na obra do Otto: as referências [e reverências] aos cultos afro-brasileiros como umbanda e candomblé. Por isso foi de encher os olhos vê-lo entoar cânticos para Iemanjá. Ao vivo as músicas de Certa Manhã têm um quê de cabaré, o que as torna irresistíveis. São um misto de dor, resignação e urgência, aquela característica que só pode ser creditada ao amor. Urgência em colocar pra fora os sentimentos que afligem o peito, sejam eles bons ou ruins.

Irresistível também é o ritmo imprimido a elas, que funcionam como convite àquela dança de antigamente, do rosto colado, do abraço que envolve. O “chora, Catatau”, que Otto repetiu tantas vezes para a guitarra do frontman do Cidadão Instigado, dá também a dimensão do tipo de sonoridade característica deste disco. Trata-se de lamento em forma de música, com guitarra pungente, que rasga devagar o peito e deixa um sorriso bobo. Exatamente como o amor.

A execução de 6 Minutos foi um dos momentos mais emocionantes da noite. De arrepiar mesmo, com Otto sem camisa, cantando na beira do palco. A interpretação parecia carregar a dor de todos os relacionamentos mal sucedidos do mundo. Arrebatador. O Leite, que no CD conta com a participação de Céu, apareceu num pequeno e emocionante trecho. [fiz esse vídeo podrinho aí com meu celular].

Naquela Mesa se torna ainda mais sensacional e dolorida ao vivo. A canção foi dedicada ao jornalista Xico Sá. O show ainda teve espaço para que o Cidadão Instigado cantasse O Pobre dos Dentes de Ouro, do fantástico Método Túfo de Experiências. Otto encerrou a apresentação com Agora Sim, cuja performance você vê neste outro vídeozinho podreira gravado por mim.

Fotos e vídeos: eu meishmo e meu celular podreirinha.

Livro: Noites Tropicais – Nelson Motta

26 December, 2009 | Karla | No Comment

Mais uma da série chegando atrasada. Desta vez BASTANTE atrasada mesmo. Há algumas semanas comprei a edição pocket de “Noites Tropicais”, do jornalista e produtor musical Nelson Motta.

O livro originalmente foi lançado em 2000, mas não lembro nem o que estava fazendo neste ano, quanto mais o motivo de não ter comprado. Arrisco um palpite: juventude burra. Enfim. O fato é que comprei o livro recentemente e tirei o atraso desta leitura. Teoricamente deveria ser uma espécie de biografia do Nelson Motta, o que poderia tornar a narrativa bem chata. Mas nem, são historinhas deliciosas que mostram a relação do jornalista com figuras emblemáticas da música brasileira como João Gilberto, Chico Buarque, Elis Regina, Roberto Carlos, entre outros. Ao final da leitura você fica com a sensação de que é preciso ser amigo de um cara como ele, que esteve em todas e conheceu pessoas interessantíssimas.

Uma das melhores passagens para mim é a narração de uma briga com Tim Maia nos early 90′s. Abaixo reproduzo o trecho:

Feliz com o sucesso do disco, um dia abro o jornal e leio uma entrevista de Tim, reclamando que foi explorado e passado para trás pela Warner. Fiquei furioso, me senti atingido, afinal eu é que tinha negociado o contrato com ele. E aceitado, sem regatear ou discutir, exatamente tudo o que ele tinha pedido. Me senti traído e escrevi-lhe uma carta furibunda. Falando sobre os 20 anos de amizade e lealdade, lembrando os termos do nosso acordo, dizendo que ele era um idiota por não perceber que eu sempre estive do lado dele e fiz exatamente o que ele me pediu. “Você se queixa da solidão mas trata seus amigos assim”, eu reclamava, reiterando que gostava muito dele e que adorava a sua música. Mas que ele era um maluco irresponsável.

Dois dias depois, não acreditei quando vi a minha carta, que não mostrei a ninguém, que era pessoal e confidencial, publicada no jornal. Como foi parar ali? Dada pelo próprio Tim Maia, informava a matéria. Uma carta que o esculhambava e assegurava que todas as suas exigências foram cumpridas e que ele não tinha nenhuma razão.

Alguns dias depois, uma inconfundível voz de trovão ao telefone:

“Alô? Nelsomotta? Adivinha quem está falando?”

“Ed Motta”, provoquei.

“Olha aqui, ô Nelsomotta, esse meu sobrinho Eduardo canta direitinho, mas é burro porque não gravou nenhuma música romântica. Ele precisa namorar muito, ser bem corneado e gravar música romântica. Aí ele vai entender por que o Julio Iglesias vende tanto disco.”

E voltou ao motivo inicial do telefonema:

“O Nelsomotta, nós dois estamos parecendo duas velhas ridículas batendo boca no supermercado, acho que nós estamos mesmo é na andropausa, que é a menopausa masculina. Parece coisa de doidão. Sugiro que esta briga seja dada por encerrada.”

Proposta aceita entre gargalhadas. Contei animado a homenagem que minhas filhas fizeram a ele: “As meninas trouxeram um gatinho para casa e puseram nele o nome de Tim…”

“Já sei”, ele interrompeu, “porque é gordo, preto e cafajeste!”

Não, o gato era cinzento, magro e amoroso.

Easy All Stars @ Clash Club

11 December, 2009 | Karla | No Comment

easyallstars
Quarta-feira bobinha em São Paulo, tava sem fazer nada no trampo e eis que chega e-mail da amiga de uma amiga perguntando quem queria ingresso pra ver o Easy All Stars no Clash. Respondi diretão eu! e no final da noite estávamos lá na porta da balada da Barra Funda esperando para ver a banda.

Termos que podem definir a apresentação: muita viagem. Os caras são competentíssimos ao vivo. No início rolaram algumas músicas próprias, o que pareceu não empolgar tanto o público. Logicamente as pessoas estavam lá para ouvir as versões do EAS para Pink Floyd, Radiohead e Beatles.

Do que eu lembro da parte do “Dub Side Of The Moon”, ACHO que tocaram “Money” e “Breathe”. O que me interessava mesmo eram “Radiodread” e “Easy Star’s Lonely Hearts Dub Band”. Portanto foi muito foda vê-los tocar ao vivo “A Day In The Life” e “Paranoid Android” [lembranças de 22 de março de 2009], estes aliás foram momentos nos quais rolou uma EMOção da minha parte.

A versão de “Lovely Rita” é fofa e “Being For The Benefit of Mr. Kite” é mesmo demais nessa pegada dub. Ah, e terminar com “Karma Police” é pra detonar o coração da pessoa. Voltei pra casa com vontade de ouvir meu “Sgt. Pepper’s” e “Ok Computer”. :~]

Foto: Eu meishmo com meu celular podreirinha.

Alicia Keys Live! @ YouTube

4 December, 2009 | Karla | No Comment

Na terça passada, Alicia Keys apresentou uma mostra das músicas de seu disco novo The Element of Freedom, cujo lançamento está previsto para o próximo dia 15. A data do show, que aconteceu em Nova York no Nokia Theater, coincidiu com o Dia Mundial de Luta Contra a Aids e isso não foi mera obra do acaso. A cantora desenvolve um trabalho de caridade chamado Keep a Child Alive. Pulando essa parte Bono Vox feelings, vamos ao que interessa.

O show de Alicia foi transmitido ao vivo pelo YouTube e do pouco [do meio para o final] que vi gostei bastante. Achei o disco anterior, As I Am, bem fraquinho em comparação aos do início da carreira e parei de ouvi-la por um tempo. Voltei a escutar há pouco depois de tê-la visto cantar com Jay-Z no American Music Awards.

O repertório foi basicamente composto por músicas novas como “Love Is Blind“, “Doesn’t Mean Anything“, “Try Sleeping With a Broken Heart” e “Distance and Time“. Das antigas rolou “Fallin” [claaaaaaro!], “No One” e “Wreckless Love“. O senhor Bionça [oi para você que não sabe que é o Jay-Z] fez uma aparição no final do show e cantou “Empire State of Mind (Part II)” com Alicia. Trata-se basicamente de uma ode à cidade de Nova York. Ontem mesmo os vídeos de todas as músicas já estavam disponíveis no YouTube. Há também o vídeo do concerto inteiro. Infelizmente a incorporação foi desativada e não rolou colocar nada aqui. Mente proprietária feelings.

Me amarro na Alicia Keys por causa de um lance: como todo romântico, ela se joga no amor e isso fica EXTREMAMENTE claro em toda a discografia dela. É tudo uma questão de breakups e moving on como bem disse o Jon Pareles nesse review publicado no The New York Times. Além desta questão, tem o fato de ela ser uma ótima cantora e instrumentista. O Pareles chamou atenção para outra coisa também: Alicia Keys tá muito no controle e esse show [postura, repertório etc] consegue deixar isso muito explícito

Pseudoresenhismo: Clã @ Sesc Pompéia

30 November, 2009 | Karla | No Comment

Sexta passada (27) fui assistir a apresentação dos portugueses do Clã no Sesc Pompéia. Já previa um pouco de fracasso no quesito público, algo como ‘putz, deve ter eu e mais uns cinco’ [mente belenense mode on]. Mas ainda bem que eu estava errada e nesse tópico a coisa funcionou. Cheguei um pouco antes do horário marcado, comprei as fichinhas para meus três chopes e aguardei o início do show.

Primeiro entraram os rapazes e por fim Manuela Azevedo. Muito branca, cabelo preto curto [cujo corte me lembrou a personagem da Lídia Brondi em Meu Bem Meu Mal, heh], colete e calça saruel. Pensei ‘puta merda, a menina mó bonita usando essa calça MAIOR uó’. Mas aqui começa o fracasso da minha resenha, não anotei o nome das músicas porque estava mais interessada em ouvir a banda e segurar meu chope.

O que lembro é que o repertório do Catalogue Raissoneé foi tocado quase na íntegra. Portanto, tivemos Dançar na Corda Bamba, Carrossel dos Esquisitos, Eu Ninguém, Fahrenheit, GTI (Gentle, Tall & Intelligent) e Eu Ninguém [se não me falha a memória]. São excelentes ao vivo, têm uma vibração que me impressionou muito e, como eu suspeitava, a voz da Manuela é divina. Divina, meus amigos. Que voz!

Essa apresentação da sexta contou com participação de Zeca Baleiro. Eles cantaram juntos Bandeira e eu até que gostei bastantinhos, mas lembrando que essas músicas são repertório MALA de mesa de bar, mas ok. Na platéia estava Arnaldo Antunes, que subiu ao palco lá pelo meio do show e cantou H2Omem junto com Manuela.

Confesso que com a proximidade do final do show começou a me dar agonia, porque até então O Sopro do Coração havia sido ignorada. Mas este probleminha foi resolvido no segundo bis [em um deles tocaram uma versão bem do caralho de The Beautiful People do Marilyn Manson] e fiquei feliz e emocionada ao ver o casal Helder e Manuela tocar uma das minhas músicas preferidas em toda essa vidinha.

Saldo: foi um show belo, os portugas são muito competentes e estavam visivelmente felizes com a reação positiva do público. E eu… bem, eu comprei meu exemplar de Catalogue Raissoneé e voltei serelepe pra casa. Espero que eles não demorem 300 anos para voltar a São Paulo.

Fotos: eu meishmo com meu celular podreira. ;]